The Flash fala sobre importância da humanidade na Crise nas Infinitas Terras

A primeira parte da Crise nas Infinitas Terras terminou com um bom episódio de The Flash, apesar de alguns problemas no roteiro. O capítulo mostra como os heróis reúnem os demais paladinos (paragons) e foca também no papel que os humanos têm a desempenhar no encontro.

[Spoilers de Crisis on Infinite Earths: Part Three]

Continuando a trama de Batwoman, a parte dois do crossover, o nono episódio de The Flash, revela os paladinos (paragons) restantes: o próprio Barry Allen é nomeado como o paladino do amor, J’onn J’onzz é o paladino da honra e o cientista Ryan Choi é o paragon da humanidade. Enquanto parte do grupo vai atrás de Choi, a busca pela alma de Oliver Queen continua, culminando na participação especial de Tom Ellis como Lucifer.

Assim como outras aparições do crossover, Ellis aparece rapidamente, mas com uma função: ele ajuda Constantine, Mia e John Diggle a tentar recuperar a alma de Oliver Queen. Além de jogar seu charme para a filha do Arqueiro Verde (como só ele consegue fazer), o personagem também tem uma boa interação com o Constantine, tratando-o como um velho conhecido do submundo. No entanto, como já era esperado, a alma do Arqueiro não retorna, mesmo quando é encontrado: apesar de sentir falta da filha, fica a impressão de que a alma de Oliver não pertence mais ao mundo dos vivos e sua função na Crise realmente está ligada à sua morte. Com Arrow sendo um dos episódios que encerra o crossover em janeiro, os fãs podem se preparar para uma despedida definitiva.

Enquanto isso acontece, o episódio introduz uma disputa replicada dos quadrinhos e cinema. Na ânsia de recuperar sua Terra, incluindo Alex, Lena, e todos os outros, a Supergirl pega o Livro do Destino para reescrever a história. Além de ser um grande risco, a personagem também pode enlouquecer e comprometer seu papel como a paladina da esperança dentro da Crise. Isso faz com que Kate Kane, a Batwoman, fique pronta para enfrentá-la usando um dispositivo de kryptonita. Elas ficam frente à frente replicando uma rivalidade antiga entre Batman e Superman. Mas claro que, sendo quem são, Kara e Kate não chegam às vias de fato e a confiança entre as duas fala mais alto.

A terceira parte da Crise também explica mais sobre a origem da nuvem antimatéria, em uma trama que envolve o Flash. Isso é positivo por dar destaque às angústias de Barry, mas o arco é prejudicado por alguns problemas de roteiro. Flash, Killer Frost e Cisco (que voltou a ser o Vibro), encontram a fonte da nuvem, criada pelo Barry Allen da Terra 90, interpretado por John Wesley Shipp. Ele explica que foi obrigado a ficar ali pelo Anti-Monitor e, caso saia da esteira que cria a nuvem antimatéria, há um dispositivo que acabará com todas as Terras de uma vez, e não aos poucos. Isso impede que o Barry Allen do presente o salve, mas gera uma dúvida: por que o Antimonitor não fez isso desde o começo? Se o objetivo do vilão é acabar com o multiverso para instituir o seu próprio, porque não fazer isso de uma vez?

A falha realmente incomoda e o resultado só não é mais negativo porque a história rapidamente se volta para falar de Barry. Como paladino do amor, seu relacionamento intenso e duradouro com Íris é colocado como ponto central. Ainda que esteja angustiado e com a certeza de que deve morrer, Barry se agarra ao sentimento que tem por Íris e a presença dos dois em tela transmite tudo isso. Tal intensidade deve ser importante para o futuro, já que Íris é levada pela nuvem antimatéria, que acaba com a Terra 1.

Por fim, a terceira parte de Crise nas Infinitas Terras faz uma bela homenagem aos que não têm poderes. Ao estabelecer que há um paladino da humanidade, o crossover quer mostrar que não são apenas os heróis que têm uma importância no destino do universo. Íris, que sempre foi o coração de The Flash, afirma para Choi que são eles, os humanos, que lembram os heróis pelo que eles lutam. A frase é certeira e traz mais uma camada ao Arrowverse, que sempre fez questão de colocar personagens sem poderes (Alex, Felicity, a própria Íris) com funções importantes em várias missões. 

O episódio termina com um gancho problemático para o futuro: Lex Luthor mudou um dos nomes dos sete paladinos (paragons), tirando o Clark Kent de Brandon Routh e colocando seu próprio nome. O uso de tal recurso incomoda e parece mais uma justificativa para encerrar mais uma participação especial aguardada e voltar a unir personagens regulares das produções. Com apenas dois episódios para terminar, o “maior crossover” da TV segue sendo bom, mas será ainda melhor se apresentar de verdade as tão aguardadas reuniões entre os personagens.

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