Tilda Swinton reflete sobre whitewashing no papel da Anciã, em Doutor Estranho

A atriz britânica ganhadora do Oscar Tilda Swinton afirmou, em entrevista concedida à Variety, que é “muito grata” pela discussão acerca de representatividade asiática em Hollywood e whitewashing que ganhou força desde que ela foi escalada para viver a Anciã, em Doutor Estranho. Nos quadrinhos da Marvel Comics, o personagem é tradicionalmente representado por um homem asiático idoso.

Embora Doutor Estranho tenha chegado aos cinemas há cinco anos, a discussão ressurgiu em maio deste ano, depois que Kevin Feige asssumiu que a escolha de colocar Swinton no papel foi um caso de whitewashing. “Achávamos que estávamos sendo tão espertos, tão ousados. Não faríamos o clichê do velho sábio homem asiático. Mas foi um alerta pensar ‘bom, espera um minuto, tem outro jeito de fazer isso? Existe um jeito de não cair no clichê e escalar um ator asiático?’ E a resposta, claro, é sim”, afirmou o presidente do Marvel Studios.

Afirmando estar “muito, muito grata”, também, pela fala de Feige, Swinton falou mais sobre como a discussão a fez refletir. “Me lembro de ter essa dúvida na cabeça e estar atenta à resposta do público que uma mulher escocesa estaria interpretando esse personagem, e estar ciente que não havia resistência, mas sim grandes boas-vindas, que mudaram em um certo ponto, por razões muito boas pelas quais eu tinha enorme simpatia”, disse.

A atriz também refletiu sobre uma polêmica vivida com a comediante Margaret Cho, que tem ascendência coreana. À época da escalação como a Anciã, Swinton a contatou, por e-mail, para pedir por um melhor entendimento da problemática em torno da representatividade asiática em Hollywood. Em uma participação no podcast TigerBelly, pouco tempo depois, Cho revelou o contato e afirmou que tudo foi “muito estranho”.

Em resposta, Swinton liberou toda a troca de e-mails que ela e Cho protagonizaram para o site Jezebel, afirmando que “precisava se posicionar e mostrar o que realmente acontecera”. Os registros mostravam uma conversa em tom amigável, com a comediante explicando que histórias asiáticas e asiática-americanas são “contadas por atores brancos mais e mais vezes e isso nos deixa perdidos em relação a como lidar com essa situação”. A atriz britânica, então, respondia que: “A ideia de ser pega no lado errado disso [a discussão sobre diversidade] Ã© um pesadelo para mim”.

Cho, entretanto, afirmou que toda a interação entre elas a fez se sentir como uma “serviçal asiática”, e disse que explicar whitewashing a alguém que ela nunca tinha conhecido destacava o privilégio branco e fragilidade de Swinton. Sobre isso, a britânica afirmou: “Eu me sinto envergonhada que tenha talvez seguido por um beco sem saída ao tentar essa correspondência, para começar. Talvez eu tenha confundido as coisas, mas, além disso, não tenho arrependimentos”.

Segundo a atriz, o reforço dado a uma discussão importante, a da representatividade em Hollywood, fez com que tudo valesse a pena. “Eu acho que estava em um lugar delicado, ciente no momento de ser pega em algo que estava fora do meu controle. E isso parecia normal, porque não era a minha voz que as pessoas precisavam ouvir”, concluiu Swinton.

Além de Doutor Estranho, Swinton também interpretou a Anciã em Vingadores: Ultimato, dividindo cenas com Mark Ruffalo, como Hulk. Ela agora estrela cinco filmes que participam do Festival de Cinema de Cannes 2021: A Crônica Francesa, de Wes Anderson, Memoria, de Apichatpong Weerasethakul, The Souvenir e The Souvenir Part II, de Joanna Hogg e The Storms of Jeremy Thomas, de Mark Cousins. O filme Friendship’s Death, que ela estrelou em 1987, também será exibido no evento.

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