OSPA faz abertura da série “Igrejas” com Coro Sinfônico, Daniel Germano e a soprano Elisa Machado

Na terça-feira (24), a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) deu início às apresentações da série “Igrejas” com a presença do Coro Sinfônico, em sua primeira apresentação do ano de 2015. Os solistas Daniel Germano (baixo-barítono) e Elisa Machado (soprano) foram convidados a participar do evento, na semana da comemoração dos 243 anos de Porto Alegre. A primeira apresentação ocorreu na Igreja da Ressurreição, que estava lotada, e novas apresentações deverão ocorrer também em outros espaços religiosos da capital gaúcha. A próxima apresentação será no dia 07 de abril às 20:30, com entrada gratuita.

Duas obras foram apresentadas: “Réquiem, Op. 48″, de Gabriel Fauré (1845-1924) e “A Fantasia em Fá Menor, Op. 18”, de Tchaikovsky (1840-1893), regidas pelo maestro Manfredo Schmiedt e fortemente aplaudidas pelo público presente.

Em breve entrevista, a simpática soprano Elisa Machado descreveu suas impressões sobre o futuro do gênero lírico, elegendo como sua obra favorita a conhecida “Sinfonia nº 9“, de Ludwig van Beethoven (1770-1827), e comentando também sobre música popular. A soprano vê, ainda, uma mudança na visão do público e dos próprios músicos, que não seguem mais ao estereótipo do cantor de ópera como visto antigamente. Veja a seguir:

Elisa Machado

A tua escolha de música favorita para repertório dá-se em razão de quais fatores: nível de dificuldade de apresentação ou razões emocionais? 

Para performance, na verdade, não possuo muitos critérios. Canto quase tudo o que me é oferecido dentro da minha capacidade, porque tenho de respeitar a limitação de minha tipologia vocal, e algumas coisas apesar de serem para soprano, não são para o meu tipo de voz. Eu não escolho: canto repertório sacro, canto desde missas até o tipo de apresentação que a gente fez hoje, que é ópera, e já fiz apresentações de música popular. Não tenho muitas preferências.

Quanto à música popular, no Brasil: é possível notar uma certa distância em relação à esse gênero, tido como música clássica. De que forma poderia ser renovada a visão da música lírica?

Música é música! Eu entendo que a separação se dá basicamente por motivo técnico, principalmente em relação ao canto, porque nem sempre se pode fazer as duas coisas, e o músico acaba se especializando em alguma área. Aproximar, é justamente rompendo o preconceito de que algum estilo é melhor do que o outro: se a música for bem feita, de bom gosto, qualquer tipo de repertório acaba sendo válido.

Diante desse cenário que busca a diversidade, qual a sua perspectiva para o futuro na música lírica?

Particularmente? Esse foi o estilo que escolhi há bastante tempo, com o qual me encantei desde que tive os primeiros contatos, e eu tenho estudado basicamente nessa linha. A prioridade em termos de repertório é do repertório erudito, e tenho me dedicado quase exclusivamente à isso. Agora, estou iniciando um trabalho com o Coro Sinfônico na OSPA, além da minha própria carreira como cantora, e isso exige muito mais do repertório erudito, que é feito em uma orquestra sinfônica, e excepcionalmente em alguns concertos mais populares. Então, daqui para frente, provavelmente vou trabalhar ainda mais com o repertório erudito, e isso não desmerece de maneira nenhuma o repertório popular, não faço porque acho melhor, e sim porque é uma linha de trabalho, mesmo.

Sem títuloJá existem outras apresentações previstas junto com a OSPA?

No dia sete de abril, iremos repetir esse concerto. O Coro deverá sofrer algumas modificações da programação, que ainda não nos foram passadas com definição, e eu vou trabalhar junto com eles. Tenho também outros trabalhos, com a Orquestra da ULBRA, que é um trabalho paralelo.